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Indigofera

Nome vulgar: anileira, indigófera.   As indigóferas são plantas de flores pequenas geralmente vermelhas ou púrpuras, comuns em toda a região tropical e subtropical. Muitas espécies são adaptadas a regiões semi-áridas. São pouco exigentes e crescem em solos de baixa fertilidade, ocorrendo naturalmente em beira de estradas.

Espécies: cerca de 800 espécies conhecidas, a maioria são herbáceas, anuais ou perenes, havendo espécies arbustivas e arbóreas.

Uso: O uso mais conhecido e antigo das indigóferas é na produção de pigmento azul (indigo blue) que pode ser extraído de Indigofera tinctoria e 5 outras espécies. A importância econômica do pigmento fez com que a planta fosse cultivada intensamente nos países asiáticos. No século 16, o pigmento atingiu preços equivalentes a 220 dólares/kg e era mais importante para os europeus do que o cravo da Índia. Com a colonização, as Américas passaram a ser grandes fornecedores do pigmento. A indústria usou o índigo até o início do nosso século quando a produção sintética de anilina substituiu o pigmento natural. Ainda hoje, as comunidades do interior do Brasil fabricam e usam o pigmento para colorir roupas de lã e algodão. A tecnologia de produção consiste em fermentar as folhas para liberar o pigmento, produzindo um macerado esverdeado que é coado e alcalinizado com soda ou cinza, obtendo-se assim o pigmento azul.

O principal uso atual das indigóferas é na adubação verde e cobertura do solo. Diversas espécies são usadas como forrageiras anuais ou perenes porém algumas espécies como I. spicata apresentam toxidez. Espécies arbóreas são usadas em países da Ásia, no sombreamento de culturas como chá, café e cacau. No Brasil, a espécie mais comum é I. hirsuta, de crescimento espontâneo em todo o sudeste. I.hirsuta é usada como adubo verde e forrageira e tem sido recomendada como potencial controladora de nematóides. Como forrageira é melhor aceita pelos animais após fenação.

O uso potencial, inclui o controle de erosão em áreas arenosas por espécies rasteiras, como por exemplo, I. miniata; revegetação por espécies arbóreas de crescimento rápido (I. tesymanni, muito plantada no Sri-Lanka, apresenta crescimento extremamente rápido, podendo alcançar a altura de 7 m em um ano). Diversos usos medicinais são registrados para as indigóferas: antitérmico, anti-helmíntico, no tratamento de doenças de pele e problemas cardíacos. Algumas espécies têm propriedade inseticida. I. thibaudiana e I. lespedezioides têm sido usadas no controle de percevejos, piolhos e pulgas, através de banhos com os macerados das folhas.

Nodulação: As indigóferas nodulam fácil e abundantemente com espécies de rizóbio de crescimento lento, agrupadas no chamado grupo caupi de inoculação cruzada.

Referências: Allen & Allen 1981, Leguminosae. University of Wisconsin Press, Madison; Rodrígues-Kábana et al. 1988, Nematropica 18(1):45-52.and (4): 137-142;.Otero, 1961. Informações sobre algumas plantas forrageiras. Série Didática 11, Serviço de Informação Agrícola, Ministério de Agricultura, pp. 225-230; Mitidieri, 1982, Manual de gramíneas e leguminosas para pastos tropicais. Biblioteca Rural, Livraria Nobel S.A., São Paulo, pp 149-150.

Maria Cristina Prata Neves
Embrapa Agrobiologia


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