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Crotalária
L. Nome vulgar: crotalária. O nome se refere ao som de chocalho das vagens secas, semelhante ao da cascavel (Crotalus sp.) Espécies: cerca de 550 espécies são conhecidas, muitas são herbáceas, anuais ou perenes, havendo espécies arbustivas. As flores geralmente são amarelas, às vezes estriadas com vermelho, dispostas em rácemos vistosos.
Usos: O principal uso das crotalárias é na adubação verde e cobertura do solo por serem plantas pouco exigentes e com grande potencial de fixação biológica de nitrogênio.
C. juncea é a espécie de crescimento mais rápido e tem sido muito usada como adubo verde em rotação com diversas culturas e no enriquecimento do solo. A incorporação das plantas ao solo pode ser feita após 8 a 10 semanas. O aporte de N ao sistema solo/planta é estimado entre 100 e 300 kg N/ha/ano. Esta espécie é também usada no controle de nematóides em canaviais.
Muitas espécies de crotalária são melíferas, atraindo abelhas e mangangás. O plantio junto com maracujá potencializa a polinização dessa cultura, aumentando a produção.
Várias espécies de crotalária são capazes de tolerar metais pesados.
C. cobalticola é cobaltófila. Como o cobalto interfere no metabolismo
do ferro, essencial para a produção da clorofila, sintoma de clorose nesta
espécie é usado como indicativo na prospecção de cobalto. C. florida
var. congolensis é manganófila, tolerando altos teores de manganês,
enquanto C. cornettii e C. dilolensis são cuprófilas e usadas
como indicadoras na prospecção de jazidas.
C. juncea produz fibra tão boa quanto a da juta, sendo usada na
confecção de cordas, sacos, tapetes e cestas. Como o teor de cinza é muito
baixo, a fibra da crotalária é usada na fabricação de lenços de papel de alta
qualidade e papéis de cigarro.
A ingestão de C. sagittalis, C. sericea e numerosas outras
espécies de crotalária pode causar intoxicação em animais. A doença é
conhecida como crotalismo, causada por alcalóides existentes nas folhas que
danificam o fígado dos animais.
As espécies C. spectabilis e C. juncea têm sido
recomendadas para o tratamento de diversas doenças de pele (sarna, impetigo,
psoríase).
Nodulação: As crotalárias
nodulam fácil e abundantemente com espécies de rizóbio de crescimento lento,
agrupadas no chamado grupo caupi de inoculação cruzada. Os nódulos são
cilíndricos com bifurcações. Nódulos ineficientes são pouco comuns.
Representantes deste grande gênero estão bem distribuídos nas regiões tropicais e cerca de
400 espécies ocorrem na África. As crotalárias são plantas rústicas que
crescem bem em solos secos, arenosos, cascalhentos e mesmo em áreas arenosas
de região costeira. No Brasil, ocorrem naturalmente em beira de
estradas.
Referências: Allen &
Allen 1981, Leguminosae. Madison: University of Wisconsin Press; Calegari et
al. 1992, Adubação verde no sul do Brasil. Rio de Janeiro: AS-PTA; Duke, 1981,
Handbook of legumes of world economic importance. New York: Plenum Press;
Souto et al 1992. Outros usos de leguminosas convencionalmente utilizadas para
adubação verde. Itaguaí: EMBRAPA-CNPBS, Série Documentos 11; Duque et al.
1986. Utilização mais intensiva e diversificada de adubos verdes. A Lavoura pp
21-23.
Maria Cristina Prata Neves
Embrapa Agrobiologia
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