Etanol de cana emite menos 70 por cento gás carbônico para a atmosfera do que a gasolina (31/03/09)

Um estudo feito por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) concluiu que o etanol de cana é capaz de reduzir em 73 por cento as emissões de CO2 (principal gás causador do efeito estufa) na atmosfera se usado em substituição à gasolina. A pesquisa avaliou ainda quanto de gases de efeito estufa é produzido em cada etapa da produção tanto do etanol como da gasolina.

Para este estudo, os pesquisadores da Embrapa utilizaram dados do painel de mudanças climáticas da ONU, além de medições feitas diretamente em campo. Nada ficou de fora na avaliação, foi medido quanto de gases de efeito estufa se produz desde a preparação do solo para o plantio da cana de açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto. Todo o processo foi avaliado, passando, por exemplo, pela medição da emissão de gases na fabricação e aplicação de fertilizantes no campo, na construção da usina de álcool e na fabricação das máquinas e tratores. O mesmo foi feito com a gasolina, onde foi considerada a emissão dos gases desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos.

De posse desses números, os pesquisadores avaliaram um carro movido à gasolina num percurso de 100 quilômetros e as emissões de CO2 do veículo neste trajeto. Em seguida, foi avaliado o mesmo carro, movido a álcool, no mesmo percurso. Levando em conta as emissões da produção do combustível e as emissões próprias da combustão no carro, o resultado foi uma redução de 73 por cento das emissões de CO2 na atmosfera quando utilizado o veículo movido a álcool, comparado com o uso de gasolina pura. Se comparado com o automóvel a diesel, a redução é de 68 por cento.

A pesquisa mostra ainda que caso a prática da queima para colheita da cana seja completamente eliminada e toda a colheita seja feita mecanicamente, os valores da redução das emissões alcançarão 82 por cento em relação a gasolina e 78 por cento em relação ao diesel.

Impacto nas emissões de GEEs da expansão da área utilizada para a produção de cana-de-açúcar

Na contramão das criticas sobre a expansão do uso da terra para a plantação de cana, o estudo mostra que as emissões de CO2 evitadas com o uso de etanol em lugar da gasolina superam em muito os possíveis aumentos das emissões de CO2 pela mudança de uso da terra para produção de cana-de-açúcar. De acordo com a pesquisa, um hectare de cana produz por ano 4420 kg de CO2, enquanto as lavouras de soja e milho, que estão sendo substituídas, emitem respectivamente1160 kg e as pastagens emitem 2840 kg. Mas em contrapartida, um hectare de cana, substitui 4500 litros de gasolina, cuja combustão emite 16 toneladas de CO2 por ano para a atmosfera. O resultado é que a cada hectare de cana transformado em álcool e utilizado em substituição à gasolina, produz uma redução de 12 toneladas nas emissões de CO2 por ano.

A Embrapa Agrobiologia prepara, agora, estudos com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para comparar a economia de CO2 na produção de etanol de milho americano.

Fixação Biológica de Nitrogênio é componente essencial

Por cada quilo de nitrogênio na forma de fertilizante, são emitidos em sua síntese 4,50 quilos de CO2 para a atmosfera. O Brasil, no entanto, se comparado a outros países, utiliza menos adubo nitrogenado na cana. Isto é resultado da capacidade da cultura de fixar o nitrogênio do ar através da ação de bactérias que vivem no solo e no interior da planta.

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