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Mitigação das Emissões de Gases Efeito Estufa pelo Uso de Etanol da Cana-de-açúcar Produzido no Brasil

Luis Henrique de Barros Soares1, Bruno José Rodrigues Alves1, Segundo Urquiaga1 e Robert Michael Boddey1,2

1 Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia. Endereço: Rodovia BR-465, km 7, Seropédica (RJ), CEP 23890-000.
2 Autor para correspondência: bob@cnpab.embrapa.br

Resumo Executivo (Executive summary)

A área ocupada pela cultura de cana-de-açúcar vem crescendo rapidamente nos últimos anos, e para 2009, o IBGE estima que cerca de 9,2 milhões de hectares estejam plantados com a cultura. Na última safra, foram produzidos 24,5 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar, dos quais 5,16 bilhões de litros foram exportados.

Pelo presente estudo, o etanol da cana seqüestra significativas quantidades de CO2 da atmosfera. Foi mostrado que um veículo médio rodando 100 km com gasolina pura (sem adição de etanol) produz 35,1 kg CO2. Esse mesmo veículo rodando a mesma distância com diesel, produz 29,7 kg CO2, mas com etanol de cana, emite somente 6,92 kg CO2 de origem fóssil. Em outras palavras, o etanol de cana reduz 80 % das emissões de gases de efeito estufa (GEEs), se usado em substituição à gasolina pura, e em 77 % das emissões, no caso do diesel.

Considerando o total de etanol produzido na última safra, sendo usado em substituição à gasolina pura, sem adição de álcool, o País contribuiu para mitigar 50 milhões de toneladas (Tg) de CO2, ou 13,4 % das emissões totais de GEEs derivados do uso de combustíveis fósseis no País em 2005. Deste modo, calcula-se que o etanol produzido a partir de um hectare de cana (a média nacional para 2008 foi de aproximadamente 6.500 litros) pode substituir 4.600 litros de gasolina e evitar a emissão de 13,2 toneladas (Mg) de CO2 por ha.

É importante ressaltar o grande benefício que a colheita de cana crua (sem queima) traz em termos de mitigação de GEEs, mesmo considerando a necessidade de mecanização adicional. Na mudança do sistema de produção de cana atualmente existente (aproximadamente 60% da área colhida manualmente após a queima) para um sistema com 100% da área com corte mecanizado da cana crua (sem queima para colheita) as emissões totais de GEEs evitadas com o uso do etanol de cana em lugar da gasolina subiriam para 86 %.

O grande benefício do etanol de cana-de-açúcar em mitigar gases de efeito estufa tem sido colocado em discussão pela forma como a cultura tende a se expandir no território brasileiro. Tomando como referência o estado de São Paulo, maior produtor nacional de cana-de-açúcar e onde ocorreu a maior expansão da área da cana de 2005 para 2008, observou-se que essa expansão ocorreu principalmente sobre áreas de pastagens, embora não se possam descartar plantios sobre áreas anteriormente dedicadas à produção de grãos. Neste estudo, considerou-se que essas pastagens suportavam um animal de 350 kg por ha, e que as áreas de lavoura eram para produção de soja e milho, 50% sob plantio direto. A expansão da cana em áreas de pastagens teve pouco efeito no balanço de gases de efeito estufa pela mudança de uso do solo. Porém, se o plantio da cana-de-açúcar fosse feito em áreas de grãos, o potencial de mitigação do etanol em substituição à gasolina seria menor, mas ainda assim evitaria emissões anuais de mais de 11 toneladas (Mg) de CO2 eq por ha.

Veja aqui o estudo na íntegra




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